quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Rio de Janeiro, queremos PAZ!!!


Sou uma carioca que tem um sentimento bastante ambivalente pelos seus conterrâneos. Por um lado, a pena de ver tanta gente espoliada de quase tudo que é direito inalienável do homem. Experimento a revolta de ver o povo que fala com meu sotaque, que como eu gosta de feijão preto, torce comigo no Maracanã, freqüenta as praias que me encantam e tem o senso de humor e a simpatia que tanto aprecio, permanecer insensível e inerte em face a todo horror infernal que se instaurou na nossa terra. Por que é imoral pedir que a música cesse após a cidade ser ferida na alma e experimentar uma catarse coletiva? Por que nos reunimos para tudo, menos para defender a justiça e o direito?
Pessoas como eu, carioca, se valem por ter uma arma na mão e colocar horror nas pessoas que tanto apreciem a vida, e como vale tão pouco...
Somos obrigados a endurecer os corações, nos cercamos de medo do próximo que não seja nosso conhecido, andamos apressados para alcançar o ponto de ônibus, deixando para trás um belo pôr do sol ou mesmo a possibilidade de um novo encontro. Ou dirigimos nossos automóveis num trânsito competitivo, para chegarmos mais cedo e nos trancafiamos em casa, ligando a TV para nos defrontar com as mais absurdas notícias, sobre a violência em todas as instâncias. Assistimos novelas cheias de personagens que variam de idiotas a vilões da mais baixa categoria ou programas de extremo mau gosto, jornalismos sensacionalistas, que anunciam até flagrante de estupro! E finalmente, dormimos com os ecos das más noticias, após conferir se realmente os portões do prédio estão fechados, se todos da casa estão em segurança.
Pergunto-me a cada dia ao chegar ao trabalho, se terei condições de me manter num clima tenso, onde as pessoas passam a maior parte do tempo em frente ao computador, não percebendo o outro; são ferrenhas detentoras dos seus próprios interesses, onde a desconfiança tira o lugar da solidariedade, onde o autoritarismo determina as atitudes, desestabilizando uns, em detrimento do prazer dominador de outros. E muitas vezes, saio com o mesmo sentimento, com medo de no dia seguinte ter que novamente me manter cautelosa com o que digo, com o que expresso sobre as minhas idéias, com o que faço, com o que escrevo. Sinto-me às vezes, um ser estranho, neste velho mundo novo, tão arrítmico e dilacerado! Mas como sou romântica, prefiro exercitar a minha memória com lembranças do tempo em que podíamos trabalhar em ambientes onde as pessoas interagiam, partilhavam os conhecimentos, comungavam os mesmos interesses, enfim, se percebiam como pessoas, como gente.
Sinto falta do caminhar pelas ruas sem ter medo de ser assaltada, por usar uma corrente de ouro que ganhei da minha mãe, ou um relógio que me dei de presente no meu ultimo aniversário; poder olhar ao redor, paquerar e sorrir espontaneamente, usar sapatos de salto, elegantes, que davam charme ao andar. Hoje, uso bijuterias baratas para não chamar atenção, ando de sandálias rasteiras para facilitar os passos apressados e olho para os lados, não em busca de outros olhos, mas atenta aos riscos que a rua me traz.
Desculpe o medo... mas hoje a única coisa que gostaria de me sentir é protegida!!!

Cristo que nos protege com seus braços erguidos... Dai-nos a PAZ!!!

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